quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Little Black Submarines

"Operator, please..."

Música: Little Black Submarines
Banda: The Black Keys
Álbum: El Camino (2011)

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El Camino

***



"Told my girl I'd be back
Operator, please..."

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Música Salva! (32) - Elevator to the moon


Originalta.

Imitações são baratas, mas não resolvem o problema at all.
Se os planos envolvem enquadrar a estratosfera no retrovisor, então é prudente que o motorista seja um astronauta graduado.
Ou que, no mínimo, tenha aquela licença provisória de ascensorista faixa amarela que a NASA entrega pra gente depois do primeiro módulo do curso.
E não sou eu quem diz isso, não, é a sabedoria popular.

Por aqui o brevê tá em dia, garanto.

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Guster!

Guster - Satellite
Álbum: Ganging up on the sun (2006)

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"Shining like a work of art
Hanging on a wall of stars
Are you what I think you are?"

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"Elevator to the moon
Whistling our favorite tune"

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"Maybe you will always be
Just a little out of reach"

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Salva, música, do your job!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Música Salva! (31) - Change of Heart of Gold

Esse Neil é um cara foda mesmo!

Sei que é uma declaração redundante (um dos sinônimos de "Neil Young" no dicionário é justamente "cara foda") mas é difícil evitar, desculpe.
E por mais que já sejam inúmeros os motivos pra se repetir isso, ele sempre aparece com novas razões que te fazem querer proclamar uma vez mais, em alto e bom som:

"O Neil é foda!"

Hoje temos mais duas belas razões para fazermos isso.

A princípio, essa mensagem seria somente sobre a primeira delas, o novo disco com o Promise of the Real que ele liberou anteontem, no primeiro dia do mês:
"The Visitor".

É que ver um cara com uma história longa e rica como a dele - o cara tem 72 anos, meu chapa! - tendo vontade de continuar produzindo sem parar é uma coisa que me alegra muito.
(Pois é, eu fico alegre de vez em quando.)

Bom, ontem escutei esse disco algumas vezes.
Estava ouvindo novamente agora há pouco e senti vontade de indicá-lo aqui.
Boas músicas, boas letras, enfim, mais redundância (é o Neil, pô!).

A segunda e majestosa razão, que me vi mais do que obrigado a divulgar, é o site que ele acabou de lançar, que abriga toda a sua discografia.
 (Eu disse "toda"!)  
E de graça.*

[*Uma importante correção aqui. Depois vi no FAQ do site que o acesso será gratuito por um período limitado, aparentemente, até 30 junho de 2018. A partir daí, haverá uma espécie de assinatura para aqueles que queiram continuar explorando os arquivos. O valor ainda não está definido e dependerá da quantidade de pessoas interessadas no conteúdo, ou seja, quanto mais pessoas tiverem o interesse em acessar os arquivos até esta data, mais barato será. De todo modo, no pior cenário, você tem ainda sete meses pra entrar lá, de graça, e ouvir qualquer música de qualquer disco quantas vezes quiser.]

O site é exageradamente bem feito, um verdadeiro e minucioso documento da história do Neil, com todas as canções, letras, fichas técnicas, etc, etc, etc.
Fora toda a riqueza de detalhes do layout que tornam a experiência ainda mais especial.
Dá pra ficar perdido ali navegando por horas e horas, clicando nas gavetas, pastas, arquivos....
E tem até um tutorial-mensagem-de-boas-vindas em que o próprio Neil vai te mostrando como o site funciona.

Bom, vá lá conferir, deixa de preguiça.
O caminho é esse aqui:

Pode clicar sem dó que vale a pena.
E já adiciona aos favoritos, porque não dá pra ver tudo de uma vez. É um trabalho que merece várias visitas, vários passeios. Dá até pra tirar férias e viajar pra lá.
Até porque, a ideia é que os arquivos sejam constantemente atualizados, na medida em que ele for liberando material novo.
E, alegria, alegria: o cara não para!

***

Voltando agora ao disco, "The Visitor", já que esse é um "Música Salva!", entre as minhas preferidas vou destacar a simples e doce Change of Heart,

"I'm your fresh beer
So drink me up"

 e a divertida Carnival:

"And looked at the barrel at Evel Knievel's great Grandfather
CARNIVAL, CARNIVAL, CARNIVAL, CARNIVAL."

Mas há outras ótimas músicas nesse disco.
E, por gratidão pelo presente, e pra prestigiar a magnífica ideia do site e seu excelente resultado, pela primeira vez, não vou colocar nenhum link direto das músicas.
Dê um pulo lá nos arquivos do Neil, escuta lá.

O cara é foda.

;)


Coração de Ouro.

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De quando o Neil passou por aqui antes (há tempos atrás):
Caderno de Brincar - 10

"Hey, Neil, homem velho, será que você tem tantas angústias quanto eu? 
Tchu-ru-ru.
Hey, Neil, homem sério, apenas queria trocar uma ideia com você. Tchu-ru-ru.
Das vezes que te vi, prestei atenção.
Teu olhar profundo, tua carga calma."
(Cidadão Instigado)

***

Te amo, Neil.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Música Salva! (30) - Trane e o amor supremo

Chasing Trane.

"And at least when he's playing,
he is the master of his soul."

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"And he left some heaven behind."

Mais do que isso.
Deixou um amor supremo.

John Coltrane
A Love Supreme (1965)


***

O amor supremo dividido em quatro partes essenciais.
Mas pode escutar inteiro que eu garanto uma das formas mais belamente bonitas de se empregar 32 minutos e 48 segundos na vida.

E se ao fim do salmo não estiver com lágrima nos olhos, aí...
...bom, aí eu não sei o que receitar, não sei mesmo.

***

De quando o Trane passou por aqui antes:

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Lá lonjão, ó!

          <Uro
   <a
  <s
  <s
  <o
<t
 <n
bRO      
    

"- Onde, onde?"
"- Lá longe, Bronto, lá lonjão..."
"- Lonjão onde?"
"- Lá ó, entre o Tiranossauro Rex e o Empire State Building."
"- Eu não consigo mais ver, they shot him down."

***

 Daniel Johnston - King Kong
Álbum: Yip/Jump Music (1983)

***
"And when he saw the woman
He took her without question
Because after all
He was the king

And he loved the woman
He loved the way she looked
But she wouldn't stop 
Her screaming"

***

Aviso tardio:
Esta canção contém alguns poucos spoilers.
Pensando bem, contém o roteiro inteiro, desculpe.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O Sal da Terra

O cara.
 

A cara.
Caríssima. 

Um.  


***

E o resto é o surreal.


***


Surreal:
"Dawn" (1989), Odd Nerdrum

***

Surreal:
"A Cela" (2000), Tarsem Singh


***

Surreal:

Salgado na Etiópia, 1984.


"O sal da terra" (2014), Win Wenders; Juliano Ribeiro Salgado

sábado, 25 de novembro de 2017

Lautrec

Rabiscando o Toulouse em vermelho.
E amarelo.

***

"Não há nele nenhum estado de ânimo deformatório. Esse meridional luminoso que escapa à plástica pura é tão somente uma curiosidade perene, sutil, incisiva, sem limites, levada até o estado de neurose lancinante e guiada pela própria vida. A descoberta do real, a sua expressão gráfica, são para ele a emoção extrema, a satisfação suprema. (...) Esses personagens, Lautrec os escolheu com rara lucidez. Os escritores, os pintores, os homens do mundo oferecem no seu conjunto uma seleção qualitativa. (...) Ninguém mais do que Lautrec entendeu que a multidão tem uma alma completamente diferente da soma das almas individuais que a compõem."

- E. Schaub-Kock, 1935


***


 O Divã (1893)

 A Palhaça Cha-u-Kao (1895)

Confetes (1894)

Senhorita Cha-u-Kao (1896)

A Revue Blanche (1895)

Duas Mulheres Seminuas de Dorso (1894)

***


(Coleção Grandes Mestres: Toulouse-Lautrec)

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

sábado, 18 de novembro de 2017

O homem duplicado

 Eu esperei muito pra chegar nesse dia e poder dizer

"hey fellas, fechando-O-clico-o-homem-duplicado",

mas a porcaria da verdade é que os ciclos já estão todos fechados desde sempre e não se fecham nunca-jamais. 
E, afinal de contas, deve ser isso mesmo o que caracteriza um ciclo: ele já está fechado pra poder recomeçar e não se fecha nunca, porque está sempre recomeçando.

Então, que seja: "hey, fellas, completando-UM-ciclo-o-homem-duplicado".

***

Depois do filme o livro, do livro pro filme mais uma, duas vezes, as anotações... mais um tempo pra digerir, e agora, quase três anos depois, finalmente, a revisão final.


Ainda acho que esse filme é foda da epígrafe - passando pela fotografia e desde a primeira nota soprada da insistente trilha sonora - até a tipografia em amarelo dos créditos finais. E é mais um belo exemplar que derruba a máxima: "o livro é sempre melhor que o filme."
Não que o livro seja ruim, pelo contrário, acho que as poucas citações selecionadas aqui dão uma razoável ideia do alto nível do conteúdo (e é um Saramago, bicho), mas é que o filme soube captar a coisa com um suspense que faria o nosso querido Alfredinho tirar o chapéu e assistir vidrado por 1h30min. Além disso, o filme acrescenta algumas sutilezas que deixam o enredo menos previsível, abrindo outras possibilidades.

***

Bom, abaixo as citações, prints e links que darão invariavelmente em becos sem saída não pavimentados desses 
"labirintos cretenses" aqui.
Boa sorte pra nós.

***

[Por desejo do autor, foi mantida a ortografia vigente em Portugal.]

"Tertuliano Máximo Afonso anda muito necessitado de estímulos que o distraiam, vive só e aborrece-se, ou, para falar com a exactidão clínica que a actualidade requer, rendeu-se à temporal fraqueza de ânimo ordinariamente conhecida por depressão."

***
"...pessoas a sofrerem com paciência o miudinho escrutínio da solidão..."

***

"Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente."

***

"
...mas precisa se distrair com histórias que não ocupem demasiado espaço na cabeça..."

***

"
...o que lhe doía, como aos ingénuos sempre sucede, era isso mesmo, sua ingenuidade..."

***

"...câmara palatina..."

***

"...cores surdas..."

***

"...morte macaca..."

***

"...às espartanas virtudes da água fria..."

***

"...desculpabilização universal..."

***

"...ira dos mansos..."

***

"
...referimo-nos à lágrima, [...] essa manifestação líquida dos sentimentos..."

***

"
Ter um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar sempre foi uma regra de ouro nas famílias que prosperaram, assim como tem sido abundantemente demonstrado que executar em boa ordem o que se deve foi sempre a mais sólida apólice de seguro contra as avantesmas do caos."

***

"
...prestidigitado ovo-de-colombo..."

***

"
...gênero gangsteril..."

***

"
...como diziam os rústicos, enquanto os houve..."

***

"
...as grandes verdades não passam de trivialidades..."

***

"
Provavelmente, ler também é uma forma de estar lá."

***

"
É de todos conhecido, porém, que a enorme carga de tradição, hábitos e costumes que ocupa a maior parte do nosso cérebro lastra sem piedade as ideias mais brilhantes e inovadoras de que a parte restante ainda é capaz, e se é verdade que em alguns casos essa carga consegue equilibrar desgovernos e desmandos de imaginação que Deus sabe aonde nos levariam se fossem deixados à solta, também não é menos verdade que ela tem, com frequência, artes de submeter subtilmente a tropismos inconscientes o que críamos ser a nossa liberdade de actuar, como uma planta que não sabe por que terá sempre de inclinar-se para o lado de onde lhe vem a luz."

***

"
Estranha relação é a que temos com as palavras. Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos. Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, assim argumentamos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos ideias muito vagas, e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tacteamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, até, encontrando."





***

"
...digressão piscícola..."

***

"
...entreter o tempo sem perturbar o espírito..."

***

"
...em nome do direito que a qualquer pessoa assiste de dizer uma ou outra vez onde lhe dói."

***

"
O caos é uma ordem por decifrar."



***

"
...as estrelas, os planetas, os cometas e os meteoritos do cinema..."

***

"
Ser-se homem não deveria significar nunca impedimento a proceder como cavalheiro."

***

"...vagabundear de fragmentos vacilantes de ideias..."

***

"
...não decidir a tempo pode tornar-se uma arma consciente de agressão mental contra os outros..."

***

"
...apostar na honestidade de uma pessoa como tu o fizeste é uma forma de chantagem bastante repugnante..."

***

"
Quanto mais te disfarçares, mais te parecerás a ti próprio."

***

"
...lá onde, paciente e segura do seu poder, o estava esperando a solidão..."

***

"
...encontrarás o que precisas se guardaste o que não prestava."

***

"
...pertencendo-lhe de direito, não é seu de facto."

***

"
...colocar no primeiro de todos os instantes o último ponto final..."

***

"
...é tanto o que temos para dizer quando calamos..."

***

"
...o pior de todos os muros é a porta de que nunca se teve a chave, e ele não sabia onde a encontrar, nem sabia sequer se tal chave existia."


***

"Tertuliano Máximo Afonso não pertence ao número dessas pessoas extraordinárias que são capazes de sorrir até quando estão sozinhas, o próprio dele inclina-se mais para o lado da melancolia, do ensimesmamento, de uma exagerada consciência da transitoriedade da vida, de uma incurável perplexidade perante os autênticos labirintos cretenses que são as relações humanas."
[...]
"A Tertuliano Máximo Afonso talvez não lhe importasse chegar a ser árvore, mas nunca o há de conseguir, a sua vida, como a de todos os humanos vividos e por viver, não experimentará jamais a suprema experiência do vegetal. Suprema, imaginamos nós, que até agora a ninguém foi dado ler a biografia de um carvalho, escritas pelo próprio. Preocupe-se pois Tertuliano Máximo Afonso com as coisas do mundo a que pertence, este de homens e de mulheres que vozeiam e alardeiam por todos os meios naturais e artificiais, e deixe os arbóreos em sossego, que a eles já lhes sobram as pragas fitopatológicas, a serra elétrica e os fogos florestais."


***

"...talvez a ideia correcta seja de que o futuro é somente um imenso vazio, a de que o futuro não é mais que o tempo de que o eterno presente se alimenta."

***

"
Ficaram parados a olhar-se. Lentamente, como se lhe fosse penoso arrancar-se desde o mais fundo do impossível, a estupefação desenhou-se no rosto de Antônio Claro, não no de Tertuliano Máximo Afonso, que já sabia o que vinha encontrar."

***

"
...é isso o que os cães mais prezam na vida, que ninguém se vá embora."

***

"
...com a solenidade inerente ao trono..."

***

"
Se assim é, cogitou, tenho a obrigação estrita de reflectir a sério no assunto, analisar temores e indecisões que o mais provável é que sejam herança do outro casamento, e sobretudo resolver de uma vez, para meu próprio governo, que vem a ser isso de gostar de uma pessoa ao ponto de querer viver com ela, porque a verdade manda-me reconhecer que nem em tal pensei quando me casei, e a mesma verdade, já agora, manda que confesse que, no fundo, o que me assusta é a possibilidade de falhar outra vez."

***

"
...qualquer pequeno atraso no funcionamento das suas engrenagens não tem a mínima importância para o essencial, tanto faz que haja que esperar um minuto ou uma hora, como um ano ou um século."

***

"
...da mesma maneira que procedem os mapas, dizem-te por onde deverás ir, mas não te garantem que chegues."

***

"
...beijo de água..."

***

"
...arquipélago perfeito, se a perfeição já é deste mundo e o lençol da cama o oceano onde quis ser ancorada."

***

"
...agora e para sempre jamais..."

***

"...cavalo furioso..."

***

"
Tenha paciência, com o tempo o seu desgosto há de passar, é verdade, com o tempo tudo passa, mas há casos em que o tempo se demora a dar tempo para que a dor se canse, e casos houve e haverá, felizmente mais raros, em que nem a dor se cansou nem o tempo passou."

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(José Saramago - O homem duplicado)

***

Shame on you, Tertuliano, shame on you, dude.













 Shame.

***



Sinto muito.
Sempre.

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(Enemy - Denis Villeneuve, 2014)

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(The Walker Brothers- After The Lights Go Out)

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"There's a pidgeon that's
Been sittin' on my window-sill all day
I guess he's lonely too
I wonder if his love has flown away"

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"I don't look for her

I find her in the shadow of my mind
For she's just a girl
Who's memory will be wiped away with time"

***


"After the lights go out
What will I do?
After the lights go out
Facing the night without you..."